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09.03.2010
XP mantém existência virtual![]() A PCGuia explica como o sistema operativo continuará vivo no Windows 7 utilizando a virtualização No entanto, o modo XP não é parte integrante do Windows 7. Só será incluído nas edições Windows 7 Professional, Enterprise e Ultimate. Se a quiser, precisa de comprar algo superior a uma edição Home Premium. E o que é que faz exactamente? Valerá a pena? Em resumo, um sistema virtual corre dentro de outro sistema operativo num espaço próprio, do qual não pode sair e afectar os outros. O SO primário fica a salvo das interferências e o virtual funciona como se fosse o primário – ou, pelo menos, pensa que é. Tal como Keanu Reeves em Matrix, que vive uma vida virtual sem se aperceber da realidade, o SO virtual não faz ideia que está num sistema virtualmente hospedado pelo Windows. A virtualização funciona divorciando completamente o software do hardware, encapsulando o SO hospedado numa camada de software (o hipervisor) que trata de todas as chamadas de e para o hardware. Cria drives e redes virtuais e tudo o resto. Quando o SO virtualizado acede ao hardware, os pedidos são interceptados e, ou são reenviados invisivelmente para o hardware real, ou completamente emulados no software. Todo o sistema virtual está num grande ficheiro no disco rígido, cujo SO hóspede pensa que é de facto o disco rígido físico.
Claro que isto não é nada de novo. Este conceito começou a ser trabalhado há muito tempo. A palavra “virtualização” foi cunhada pela IBM nos anos 1960, numa altura em que dois computadores precisavam de salas distintas para funcionarem. A tecnologia começou a sua vida no mundo dos servidores. Estas máquinas são frequentemente subutilizadas, havendo processadores poderosos que passam muito tempo ociosos. Se se arrancar com umas quantas máquinas virtuais faz-se uma utilização muito melhor do hardware. Um conjunto de hardware pode executar eficazmente meia dúzia de servidores distintos. Uma vez criada uma máquina virtual, torna-se também muito mais fácil mover um servidor inteiro para outra máquina. É só pegar no disco rígido virtual e pô-lo noutro lado, e já está; fica mais fácil equilibrar a carga de processamento por todo o equipamento. MÚLTIPLOS SO Contudo, interessa-nos mais a capacidade de hospedar diversos sistemas operativos no mesmo hardware, ficando com dois ou mais sistemas num só. Executar consolas de jogos no PC costumava ser uma utilização popular da virtualização, mas parece ter ficado fora de moda. Os criadores de software também a adoram. Podem assim testar SO e aplicações até à destruição sem com isso terem quaisquer problemas. O número de máquinas virtuais que se pode executar está apenas limitado pela capacidade do processador, da drive e pouco mais. Pode-se criar lá uma máquina com todas as versões do Windows ou algo igualmente perturbador. Claro que precisa de um SO para cada máquina virtual, o que faz com que as várias versões de Windows fiquem muito menos atraentes. E também há sempre o Linux, que é de graça. Se o executarmos numa máquina virtual, poupa-nos o horror de termos o Master Boot Record destruído à medida que particionamos a drive após uns procedimentos de backup inadequados.
O modo XP funciona utilizando o Microsoft Virtual PC. Este baseia-se no Virtual PC da Connectix, que se utiliza principalmente para pôr os Mac e PC a funcionar juntos. A Microsoft comprou a empresa em 2006 e lançou o software de graça. Depois, a gigante norte-americana aperfeiçoou o código e lançou-o como Virtual PC 2007, que funciona no Vista e no XP com o hardware e os patches adequados. Fizeram-se mais uns aperfeiçoamentos e chegamos ao Microsoft Virtual PC, que acompanha o Windows, juntamente com uma cópia adequada do XP para funcionar lá dentro. A virtualização chega assim ao mercado de consumo. O que é que é tão importante desta vez? A virtualização não é nada de novo e o Virtual PC tem estado nos servidores da Microsoft como download gratuito há séculos. Agora inclui o modo XP no Windows 7, mas é na maneira como as duas aplicações foram integradas que está a novidade. O modo XP tem duas partes. Juntamente com o Virtual PC, temos o lado mais substancial, o do XP. Este é essencialmente uma cópia do Windows XP ajustada para o Virtual PC e com o licenciamento apropriado, dando assim dois Windows pelo preço de um. No entanto, o XP virtual não está completamente estanque em relação ao Windows 7. Fizeram-se alguns esforços para combinar ambos. O modo XP tem acesso directo à série de Pastas conhecidas (Os meus documentos, As minhas imagens, etc.), e pode-se copiar e colar entre o XP e o Win7, bem como partilhar dados. Pode-se até lançar as aplicações do modo XP directamente de um atalho no ambiente de trabalho do Win7. O Acesso directo ao hardware também inclui suporte a USB e redireccionamento da impressora – pelo menos, são essas as funcionalidades descritas no papel. Porém, nem todas as funcionalidades funcionaram tão bem como as instruções da Microsoft prometiam quando as experimentámos.
Iniciar uma máquina virtual para outro sistema operativo é igualmente fácil. Clique em Criar máquina virtual, defina a quantidade de RAM que lhe deseja atribuir e crie um disco rígido virtual. Os de tipo dinâmico extensível são os melhores. Uma vez criado, tem um ficheiro de disco rígido virtual que pode copiar para outro sistema e abri-lo lá. O SO virtual é também extremamente portátil. Pode transferir uma instalação completa de um PC com SO, juntamente com as aplicações, as definições e os documentos, de um sistema para outro, que irá funcionar. Experimente fazer isto sem virtualização e veja o que acontece... PARA ALÉM DA TEORIA Experimentámos instalar uma versão completa do XP Professional a partir de um disco como nova máquina virtual. Correu tudo tal e qual diz a Microsoft, com apenas um pequeno momento de pânico quando se deu início à formatação do disco rígido – até nos lembrarmos que, no mundo virtual, não existe acesso directo à drive física. Infelizmente, executar o utilitário de integração para juntar ambos os sistemas operativos para trocarem dados revelou-se um processo mais complicado, que acabou por bloquear a nossa instalação do XP em gráficos de 4 bit. Não conseguimos apurar o que é que aconteceu. Se for um bug, esperamos que seja corrigido. Ficámos muito bem impressionados com o modo XP durante os testes, pelo que tentámos executar alguns jogos. Podemos dizer que as Copas e o Pinball funcionaram; praticamente tudo o resto falhou, “crashou” ou recusou-se sequer a ser instalado. Quanto a jogos em 3D, nem pensar (ver texto “O quê, não há 3D?”). Fomos à caixa dos jogos antigos e experimentámos Civilization III, que se instalou muito bem mas depois recusou-se a reconhecer o CD como original, tendo o código do jogo, de algum modo, derrotado o redireccionamento da virtualização. Fizemos uma viagem atrás no tempo para o Microsoft Combat Flight Simulator, que funcionou – e, no nosso sistema, a uma velocidade respeitável. Para sermos justos, os jogos nunca foram da alçada do Virtual XP. Os únicos jogos que aguenta são os mais velhinhos, e mesmo esses nem sempre correm.
As empresas podem ficar satisfeitas, pois vão poder manter em acção o software incompatível com o Win7 mesmo se decidirem mudar para o novo SO. Se tiver um software especial ao qual não pode fazer o upgrade e não consegue viver sem ele, esta solução é tão boa como qualquer outra. As utilizações que tem para o desenvolvimento de software são evidentes. As outras pessoas podem perguntar-se o que hão-de fazer com este software, indubitavelmente notável. Bom, pode-se correr uma sessão virtual e instalar todo o tipo de software esquisito e maravilhoso na versão virtual do XP que estragaria completamente uma instalação limpa do Windows. A instalação principal fica assim arrumada e a funcionar como deve ser. Pode criar uma versão do XP com todos os codecs e leitores multimédia, algo que pode facilmente ficar tudo estragado, e usá-la como leitor de multimédia. Ou pode ainda usar o XP virtual como banco de ensaios para software suspeito. É só executá-lo no sistema virtual para ver como é que funciona. Não há problema se houver algo a correr mal e meter as unhas na directoria do Windows – teoricamente, é tudo virtual, e, se for preciso, é só apagar tudo e começar de novo, sem perigo. Se vale ou não a pena comprar as edições Professional ou Ultimate do Windows 7 só pelo modo XP, é discutível. O Virtual PC é um download gratuito, e há imensas alternativas; na verdade, só se paga pela cópia licenciada do XP e a integração pré-feita. Se já tiver uma cópia antiga do XP, tem tudo o que precisa. O que pode muito bem fazer é pôr mais pessoas a mexer com os sistemas virtuais. Correr o Linux, o BeOS e afins deixa de ser um projecto medonho se se puder fazer a experiência num local seguro e controlado. A Microsoft tornou simples e rápida uma coisa potencialmente muito complicada, e deu-a a muita gente – é algo que a Microsoft sabe fazer muito bem. Arranjar o modo XP completo permanece uma escolha questionável para o utilizador doméstico médio. No entanto, e numa palavra, o Microsoft Virtual PC é espectacular.
Fonte: PCGUIA |
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