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09.03.2010

XP mantém existência virtual



PCGuia explica como o sistema operativo continuará vivo no Windows 7 utilizando a virtualização

No entanto, o modo XP não é parte integrante do Windows 7. Só será incluído nas edições Windows 7 Professional, Enterprise e Ultimate. Se a quiser, precisa de comprar algo superior a uma edição Home Premium. E o que é que faz exactamente? Valerá a pena? Em resumo, um sistema virtual corre dentro de outro sistema operativo num espaço próprio, do qual não pode sair e afectar os outros. O SO primário fica a salvo das interferências e o virtual funciona como se fosse o primário – ou, pelo menos, pensa que é. Tal como Keanu Reeves em Matrix, que vive uma vida virtual sem se aperceber da realidade, o SO virtual não faz ideia que está num sistema virtualmente hospedado pelo Windows.

A virtualização funciona divorciando completamente o software do hardware, encapsulando o SO hospedado numa camada de software (o hipervisor) que trata de todas as chamadas de e para o hardware. Cria drives e redes virtuais e tudo o resto. Quando o SO virtualizado acede ao hardware, os pedidos são interceptados e, ou são reenviados invisivelmente para o hardware real, ou completamente emulados no software. Todo o sistema virtual está num grande ficheiro no disco rígido, cujo SO hóspede pensa que é de facto o disco rígido físico.


Duas versões do Windows, dois gestores de dispositivos, indicando hardware diferente; o XP nem
sequer se apercebe que está a correr num portátil

Aqui temos a versão do modo XP a correr ao lado de uma cópia do XP Pro acabada de instalar, ambos no Win7 – impressionante, é certo, mas praticamente inútil

Gestor de máquinas virtuais com três sistemas criados. Ainda não temos SO, daí a mensagem de erro de DOS



 
 O QUÊ, NÃO HÁ 3D?

As máquinas virtuais estão, por definição, divorciadas do hardware. Tudo tem de ser filtrado e reenviado ou emulado por software. Executar uma aplicação de produtividade normal não é grande problema, pois faz poucas exigências ao hardware. Mas quando se fazem chamadas mais especializadas a equipamentos complicados, como placas 3D cheias de processadores gráficos e imensa memória, fica tudo mais difícil.

Tecnicamente, poderia ser muito bem possível interceptar chamadas para a placa e redireccioná-las de e para o hardware, mas, com a enorme variedade de equipamentos que há, seria uma programação complicadíssima e que depressa ficaria desactualizada. Emular as funções de 3D no software é remar contra a maré: o hardware foi desenvolvido exactamente para evitar esse engarrafamento do desempenho. Mesmo um CPU do melhor que há teria de se esforçar, embora conseguisse lá chegar.

O modo XP simplifica as coisas emulando uma S3 Trio 32/64 em software. Independentemente do adaptador que de facto tenhamos instalado, é isto que lá está. É uma placa antiga mas experiente, perfeitamente adequada para trabalho de secretária. É, aliás, a mesma placa gráfica emulada utilizada nas versões anteriores do Virtual PC, não sendo compatível com Direct3D. É por isso que os jogos não funcionam. O Virtual PC não é um ambiente para executar jogo algum que não seja de cartas ou de mover pecinhas de um lado para o outro, o que já foi motivo de críticas. No entanto, não esperamos nada do último modelo. O que seria simpático era algo menos pré-histórico–suporte a mais versões de DirectX? Talvez…

Executar um SO dentro de um SO é muito interessante. Mas o mais significativo é que, uma vez que está completamente “embalado”, pode controlar o local onde ele pensa que está. Mais especificamente, pode apresentar-lhe qualquer hardware que ele requeira, quer o hardware exista ou não. Assim, são possíveis combinações completamente incompatíveis de SOFTWARE hardware, tais como Mac em PC, ou pior.

Claro que isto não é nada de novo. Este conceito começou a ser trabalhado há muito tempo. A palavra “virtualização” foi cunhada pela IBM nos anos 1960, numa altura em que dois computadores precisavam de salas distintas para funcionarem. A tecnologia começou a sua vida no mundo dos servidores. Estas máquinas são frequentemente subutilizadas, havendo processadores poderosos que passam muito tempo ociosos.

Se se arrancar com umas quantas máquinas virtuais faz-se uma utilização muito melhor do hardware. Um conjunto de hardware pode executar eficazmente meia dúzia de servidores distintos. Uma vez criada uma máquina virtual, torna-se também muito mais fácil mover um servidor inteiro para outra máquina. É só pegar no disco rígido virtual e pô-lo noutro lado, e já está; fica mais fácil equilibrar a carga de processamento por todo o equipamento.

MÚLTIPLOS SO
Contudo, interessa-nos mais a capacidade de hospedar diversos sistemas operativos no mesmo hardware, ficando com dois ou mais sistemas num só. Executar consolas de jogos no PC costumava ser uma utilização popular da virtualização, mas parece ter ficado fora de moda. Os criadores de software também a adoram. Podem assim testar SO e aplicações até à destruição sem com isso terem quaisquer problemas.

O número de máquinas virtuais que se pode executar está apenas limitado pela capacidade do processador, da drive e pouco mais. Pode-se criar lá uma máquina com todas as versões do Windows ou algo igualmente perturbador. Claro que precisa de um SO para cada máquina virtual, o que faz com que as várias versões de Windows fiquem muito menos atraentes. E também há sempre o Linux, que é de graça. Se o executarmos numa máquina virtual, poupa-nos o horror de termos o Master Boot Record destruído à medida que particionamos a drive após uns procedimentos de backup inadequados.


 
Parece-se com o XP e é o XP para todos os efeitos,
só que está dentro do Win7
Uma pen drive USB aberta, que também está aberta no Win7
 
O MODO XP
O modo XP funciona utilizando o Microsoft Virtual PC. Este baseia-se no Virtual PC da Connectix, que se utiliza principalmente para pôr os Mac e PC a funcionar juntos. A Microsoft comprou a empresa em 2006 e lançou o software de graça. Depois, a gigante norte-americana aperfeiçoou o código e lançou-o como Virtual PC 2007, que funciona no Vista e no XP com o hardware e os patches adequados. Fizeram-se mais uns aperfeiçoamentos e chegamos ao Microsoft Virtual PC, que acompanha o Windows, juntamente com uma cópia adequada do XP para funcionar lá dentro. A virtualização chega assim ao mercado de consumo.







O que é que é tão importante desta vez? A virtualização não é nada de novo e o Virtual PC tem estado nos servidores da Microsoft como download gratuito há séculos. Agora inclui o modo XP no Windows 7, mas é na maneira como as duas aplicações foram integradas que está a novidade. O modo XP tem duas partes. Juntamente com o Virtual PC, temos o lado mais substancial, o do XP. Este é essencialmente uma cópia do Windows XP ajustada para o Virtual PC e com o licenciamento apropriado, dando assim dois Windows pelo preço de um.

No entanto, o XP virtual não está completamente estanque em relação ao Windows 7. Fizeram-se alguns esforços para combinar ambos. O modo XP tem acesso directo à série de Pastas conhecidas (Os meus documentos, As minhas imagens, etc.), e pode-se copiar e colar entre o XP e o Win7, bem como partilhar dados. Pode-se até lançar as aplicações do modo XP directamente de um atalho no ambiente de trabalho do Win7. O Acesso directo ao hardware também inclui suporte a USB e redireccionamento da impressora – pelo menos, são essas as funcionalidades descritas no papel. Porém, nem todas as funcionalidades funcionaram tão bem como as instruções da Microsoft prometiam quando as experimentámos.



O XP indica ter uma drive de 126 GB, quando de facto o ficheiro tem apenas 8 GB

Combat Flight Simulator, um bom jogo escrito muito antes do Direct3D

O XP numa janela de Win7 juntamente com uma instalação nova do Word 97

 
 VEJA O SEU CHIP

Não se pode executar um PC virtual em qualquer equipamento com o Windows 7. Os seus CPU e BIOS têm de suportar ou Intel VT ou AMD-V (o hardware necessário para a virtualização, cuja especificação – acredite se quiser – data de 1974). Exactamente que chips têm suporte é uma grande confusão, e é preciso verificar com cuidado.

Através das listas de funcionalidades da Intel, encontra-se o suporte a Intel-V espalhado pela sua gama. A maioria dos chips Atom tem-no, assim como uns quantos Pentiuns 4, mas alguns chips pujantes não têm, incluindo alguns chips Core 2 Duo e Quad. Até algumas versões do mesmo chip (por exemplo, E7500) podem não incluir suporte. A Intel tem um utilitário de identificação, que deverá conseguir dizer-lhe alguma coisa relativamente ao seu caso, em www.intel.com/support/processors/tools/piu. Devemos também seleccionar as “known issues” (bugs).

À primeira vista, a situação com a AMD é um pouco mais simples. Disseram-nos que «toda a gama actual de chips AMD, excepto os Semprons, suporta o AMD-V». Quanto aos chips mais antigos, parece que os FAthlons anteriores à revisão e o Turion K8 Rev E não têm suporte, mas todos os chips de 64 bits deverão ter. A AMD tem um utilitário CPUInfo (que não é fácil de encontrar no site, mas vá à secção Support and Drivers e seleccione descarregar os drivers do processador).

A situação relativamente ao suporte no BIOS também é complicada. Pode não se encontrar o suporte indicado, o que não quer dizer que este não exista. É melhor testar antes de se fazer a actualização do BIOS. Com um BIOS relativamente recente – digamos de 2006 para a frente – provavelmente estará tudo bem. Para além do suporte ao chip é preciso 2 GB de memória (funciona com menos, mas com algum atraso) e um mínimo absoluto de 15 GB de disco rígido por SO virtual, tirando o espaço para o modo XP.

Esta confusão toda não é nada satisfatória, mas também não é muito importante. Só as versões mais elaboradas do Win7 terão o modo XP, e estas virão em computadores com especificações igualmente elevadas. Só o “desgraçado” do utilizador doméstico é que terá de calcular se a sua máquina aguenta.

Pô-lo a funcionar é fácil, e quando ligamos o XP em ecrã completo, apenas a pequena barra de ferramentas no topo nos lembra que não é uma máquina com XP. É impressionante ver o Office a instalar-se no que pensa ser a raiz da drive C e funcionar perfeitamente. No menu Iniciar do Windows 7 lá temos as aplicações do modo XP, prontas a serem executadas directamente do exterior do sistema virtual. No entanto, não há lugar para drag-and-drop de documentos – seria talvez pedir demais, embora seja uma excelente funcionalidade a acrescentar na próxima actualização.

Iniciar uma máquina virtual para outro sistema operativo é igualmente fácil. Clique em Criar máquina virtual, defina a quantidade de RAM que lhe deseja atribuir e crie um disco rígido virtual. Os de tipo dinâmico extensível são os melhores. Uma vez criado, tem um ficheiro de disco rígido virtual que pode copiar para outro sistema e abri-lo lá. O SO virtual é também extremamente portátil. Pode transferir uma instalação completa de um PC com SO, juntamente com as aplicações, as definições e os documentos, de um sistema para outro, que irá funcionar. Experimente fazer isto sem virtualização e veja o que acontece...

PARA ALÉM DA TEORIA
Experimentámos instalar uma versão completa do XP Professional a partir de um disco como nova máquina virtual. Correu tudo tal e qual diz a Microsoft, com apenas um pequeno momento de pânico quando se deu início à formatação do disco rígido – até nos lembrarmos que, no mundo virtual, não existe acesso directo à drive física. Infelizmente, executar o utilitário de integração para juntar ambos os sistemas operativos para trocarem dados revelou-se um processo mais complicado, que acabou por bloquear a nossa instalação do XP em gráficos de 4 bit. Não conseguimos apurar o que é que aconteceu. Se for um bug, esperamos que seja corrigido.

Ficámos muito bem impressionados com o modo XP durante os testes, pelo que tentámos executar alguns jogos. Podemos dizer que as Copas e o Pinball funcionaram; praticamente tudo o resto falhou, “crashou” ou recusou-se sequer a ser instalado. Quanto a jogos em 3D, nem pensar (ver texto “O quê, não há 3D?”).

Fomos à caixa dos jogos antigos e experimentámos Civilization III, que se instalou muito bem mas depois recusou-se a reconhecer o CD como original, tendo o código do jogo, de algum modo, derrotado o redireccionamento da virtualização. Fizemos uma viagem atrás no tempo para o Microsoft Combat Flight Simulator, que funcionou – e, no nosso sistema, a uma velocidade respeitável.


Para sermos justos, os jogos nunca foram da alçada do Virtual XP. Os únicos jogos que aguenta são os mais velhinhos, e mesmo esses nem sempre correm.



Uma versão virtual do XP acede directamente à drive de CD para ler conteúdo do disco dentro de uma janela do Win7
 
O Office 97 a ser enganado; aqui, está a ser instalado no que pensa ser a directoria Programas de uma instalação nova do XP, só que não está
 
QUAL É A VANTAGEM?


As empresas podem ficar satisfeitas, pois vão poder manter em acção o software incompatível com o Win7 mesmo se decidirem mudar para o novo SO. Se tiver um software especial ao qual não pode fazer o upgrade e não consegue viver sem ele, esta solução é tão boa como qualquer outra. As utilizações que tem para o desenvolvimento de software são evidentes. As outras pessoas podem perguntar-se o que hão-de fazer com este software, indubitavelmente notável.


Bom, pode-se correr uma sessão virtual e instalar todo o tipo de software esquisito e maravilhoso na versão virtual do XP que estragaria completamente uma instalação limpa do Windows. A instalação principal fica assim arrumada e a funcionar como deve ser. Pode criar uma versão do XP com todos os codecs e leitores multimédia, algo que pode facilmente ficar tudo estragado, e usá-la como leitor de multimédia. Ou pode ainda usar o XP virtual como banco de ensaios para software suspeito. É só executá-lo no sistema virtual para ver como é que funciona. Não há problema se houver algo a correr mal e meter as unhas na directoria do Windows – teoricamente, é tudo virtual, e, se for preciso, é só apagar tudo e começar de novo, sem perigo. Se vale ou não a pena comprar as edições Professional ou Ultimate do Windows 7 só pelo modo XP, é discutível. O Virtual PC é um download gratuito, e há imensas alternativas; na verdade, só se paga pela cópia licenciada do XP e a integração pré-feita. Se já tiver uma cópia antiga do XP, tem tudo o que precisa.






O que pode muito bem fazer é pôr mais pessoas a mexer com os sistemas virtuais. Correr o Linux, o BeOS e afins deixa de ser um projecto medonho se se puder fazer a experiência num local seguro e controlado. A Microsoft tornou simples e rápida uma coisa potencialmente muito complicada, e deu-a a muita gente – é algo que a Microsoft sabe fazer muito bem. Arranjar o modo XP completo permanece uma escolha questionável para o utilizador doméstico médio. No entanto, e numa palavra, o Microsoft Virtual PC é espectacular.

Tabela Livre

O outro grande nome da virtualização é a VMWare. Começou com servidores e agora tem uma grande variedade de programas, incluindo uma versão freeware chamada VMWare Player. Executa mais de 60 sistemas operativos de 32 e 64 bits, incluindo Windows, BeOS e muitas variedades de Linux, tudo num PC ou numa máquina de Linux. Pode partilhar os dados entre o hóspede e o hospedeiro e inclui suporte a USB. Pode até abrir ficheiros das máquinas virtuais da Microsoft. As versões comerciais custam algumas dezenas de euros. O que falta à versão freeware é a capacidade de criar as máquinas hóspedes iniciais, mas há imensas maneiras de contornar esse problema. Já dissemos que pode abrir máquinas virtuais da Microsoft? A VMWare tem também o VMWare Server, uma versão freeware “reformada” da sua gama GSX Server, que também as pode criar.

Para os apreciadores de jogos que desejam reviver momentos da juventude, existe o DOSBOX, que transforma a sua elegante e moderna máquina na antiga máquina de linha de comandos que conhecemos e adorávamos. É um emulador completo de x86 no qual os programas de DOS pensam que estão num PC 386. Tem todos os modos gráficos já arcaicos: Hercules, CGA, EGA e outros, e ainda compatibilidade com a placa de som – lembra-se destes terríveis anos, em que conseguir ter som no PC era uma valente maçada?

Existe suporte para AdLib e todas as variedades do SoundBlaster.Também vale a pena dar uma vista de olhos ao VirtualBox, que diz ser o único virtualizador profissional de código de fonte aberta. E há uns quantos mais, especialmente se deseja utilizar o Linux como SO hospedeiro. Também é divertidíssimo procurar versões virtuais de máquinas antigas, como Amiga, Atari ST e mesmo jogos de arcada como o “autêntico” Gauntlet.

Hospedar um SO moderno e exigente requer fazer concessões. Nunca obterá a velocidade com que correria no seu ambiente normal, com acesso irrestrito ao hardware. No entanto, é muito mais eficaz executar programas e aplicações de outros tempos. Aliás, qualquer PC decente consegue executar em emulação código arcaico a uma velocidade que os originais nunca conseguiriam atingir.


Fonte: PCGUIA





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